Pensamento e Arte


17/03/2007


Besteira uma vírgula, viu?

 

, porque eu continuo querendo começar com uma vírgula. Em parte porque eu sei que walt whitman é algo assim como falar em português com um grego que não sabe inglês ou, mesmo, falar em grego com brasileiros que não sacam de alemão. Algo assim como aprender japonês em braile. Aí eu tava no banheiro, morrendo de rir, e contando pro meu amigo que ela tinha me cantado e então ela na janela bela. Fiquei rubro. Ah! A barba ruiva de whitman. A poesia turva de whitman. O canto corajoso de whitman. E então eu pisei calmamente cada uma das folhas das folhas de relva. Assim mesmo: folhas das folhas. Havia milhares de folhas secas de marmeleiro e aquele cheiro era uma coisa. A vereda era aconchegante e quando uma nambu espantou-se ao meu lado eu quase morri de medo. Ao longe eu via a casa de mãezinha e, depois dela, eu adivinhava a casa grande e o fogão a lenha crepitando algum queijo quente de tia Maria. Ráaaaca réeaa, diabo! Uma pedra zunia e estalava nas costelas de alguma rês mais afoita e eu ficava pensando na dor que ela poderia pensar. Sempre me perguntei se vacas pensam. Até quando aprendi que sem tesão não há solução. Eram calcinhas as mais diversas, penduradas em renitentes pés de umbuzeiro. E dentro delas as entrepernas que eu manusearia no banheiro na hora do banho. Sorrio sorrateiramente pensando no que pensariam as donas das calcinhas se, num átimo, tudo ficasse como dantes no quartel de abrantes. Ótimo. Tá bom. Aí, como já te contei, eu dobrei em meu fusquinhazinho à esquerda, na ladeira da pedra mole, fiz breve parada pra mijar, no vôo da morte, e enquanto mijava olhei calmamente pra baraúna da mijada. Aí o telefone tocou e eu fui ver quem era. Não sem antes esbravejar algum palavrão.

Escrito por Edwar às 17h20
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]
 

Perfil



Meu perfil
BRASIL, Nordeste, TERESINA, Homem, Livros, Música, cinema

Histórico


>