Cê
A Dilson Tavares, seu amor e sua irmã, por sentirem comigo.
A Daniela, por balançar o chão de minha praça.
A Caetano Veloso, por ser e por cê.
Havia uma imensidão de cotovelos que se acotovelavam e milhares de olhos que miravam outros olhos e pele e carne e osso e nada químico. É incrível. Em muitos anos, era a primeira vez, numa noitada, em que eu era apenas pele, osso, carne, alguma coisa prestes a entrar em ebulição em minha alma e nem um hi-fi. Nada. Eu olhava em volta, ouvia uma sinfonia por sobre o burburinho das vozes e lembrava que a brasilidade é uma doença fácil, fértil, fóssil, fútil. Diferentemente dos americanos do norte. A iluminação, o cenário, a pose, eu, meus amigos e meu amor caminhando por dentro da noite. Repassei rapidamente cada uma de minhas frases prediletas entre suas frases diletas. Preciso dizer que te amo. Então lembrei, subitamente, de seus primeiros pasquins em londres, quando o sol, a só, depe de si, digo, despede-se, desce pé ante pé e emerge diante do urro da multidão. Ilumina a noite de Teresina enquanto eu penso em quão maravilhoso é um acontecimento como aquele, em que se pode reunir milhares de ruídos em um uníssono. Quase como Miles Davis, mas certamente melhor. E então ouvi, mais uma vez e silenciosamente, que seu corpo é a quarta dimensão de seu canto. Quais seriam as outras três? Balança o chão da praça, meu amor, cante cajuína quando você me ouvir cantar. Dois e dois são cinco? Essa ciranda, quem me ensinou? Agora sim: lá no oriente tem gente com olhar de lança na dança do meu amor. Cajuína! Cajuína! Cajuína! Cajuína! Cajuína! Cajuína! Cajuína! Cajuína!
Não! Nada irá nesse mundo apagar o desenho que temos aqui. Por uma razão simples: quando tu me deste a rosa pequenina vi que és um homem lindo.



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