Além da barragem tem um pé de umbuzeiro.
rua do prado, Deus, circuladô de fulô por onde os circuladores circulam amor e dor. ái! como dói e ao mesmo tempo afaga a lembrança que me atravessa agora. eu gostaria de contar mas não tenho talento pra lembrar. como é mesmo o nome de minhas amigas, irmãs quase siamesas que escondem a mim e ao meu amor adolescente? ela me beijava e eu sentia sua língua, morna, resvalar entre os meus dentes. uma descarga elétrica, impactante, bolinava entre minhas pernas e fazia crescer, por sob um calção elite branco, com listras rubro negras dos lados, o meu sexo inocente, indecente, rigidamente carente. eu sabia de cor o formato do sexo dela, adivinhava seu cheiro, mas não ousava tocar. já era muito ter que ficar experimentando a sua língua bolinando a minha língua e ainda me concentrar pra negociar com meu sexo jovem e afoito um retardamento de seu êxtase. em casa eu te dou tudo, eu dizia, não goze agora porque eu vou morrer de vergonha. era sempre de manhã, porque as tardes eram pardas com listras verticais azuis e soturnos kichutes pretos nos uniformes colegiais. incrivelmente, à noite, quando todos os gatos são pardos, era mais difícil esconder-se. eu sou amável e terno, medroso, manhoso e dengoso. sou lírico como caetano. então, como eu dizia, era de dia. era sempre dia, ainda que fossem noites com longas cartadas de suéca. meu amor adolescente, inconsequente, urgente, escorria pelos paralelepípedos da rua do prado. os panos verdes das sinucas. o gosto adocicado de rum com coca-cola. um vento quase frio soprando lateralmente o meu rosto enquanto eu me espreguiço sobre uma cadeira de macarrão com a armadura de metal enferrujada. o doce claro, sem nenhuma dúvida, do tijolo de leite de carlito. a fumaça medonha de um holywood fodendo o meu pulmão. trepidant’s na palhoça. cachaça no baleado. baseado certeiro. o meu amor adolescente, inconsequente e urgente escorrendo pelos grotões de minha alma. além da barragem tem um pé de umbuzeiro. Confira.



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