Eu sou o superbacana!
é assim: tudo se passa como se eu tivesse fumado um baseado e saído à toa, cachorro urubu, pelos confins de um céu cheio de mistérios. e então, puf!, acordo sem sobressalto em algo muito bom. tem sempre uma mulher, linda, areia demais pro meu caminhãozinho, que me diz algo assim singelo enquanto me olha com um olhar que é síntese de marilyn monroe – antes de agripino de paula, ressalte-se – com paula toller. a primeira vez foi nos idos de mil novecentos e oitenta e alguma coisa: ela me beijava e pedia desculpas por algo que, dizia ela, acontecera na noite anterior. juro: até hoje não sei do que se tratava. mesquita diz que é mentira, que isso jamais aconteceu. viagem minha. mas aconteceu sim. e o incrível não é o acontecimento, em si, mas o quase dejavu que ele é. eu ainda sinto, tantos anos depois, aquela mão terna sobre meu rosto, a língua quente em minha boca e as palavras chorosas caindo suavemente sobre meus ouvidos. fiz cena, devo ter imitado aqueles personagens cafajestes de filmes tipo B coçando o saco. mas não é isso que importa. eu quebro cabeça é pra lembrar do antes. onde/como eu estava quando aquilo tudo se configurava? tudo que sei é que ela veio ao meu encontro, interrompeu meus lentos passos ressacados no meio da praça, sob um sol douradamente lindo e juvenil, ignorou os olhares atônitos que se atiravam sobre nós, deslizou sua mão em meu rosto, disse algo choroso em meu ouvido e enfiou fortemente a sua língua em minha boca. moraes moreira explodiu sobre os meus ouvidos enquanto ela se afastava sobre uma bunda que rebolava promessas mil. e eu saquei: sou o superbacana.



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